Bangkok

Meu Super Poder e a Frustração do Sucesso

Eu vivo uma vida aparentemente normal, mas eu tenho um super poder; eu estou presente. Assim eu sou mais produtivo. Eu gero mais valor. Eu aproveito os momentos. Eu mando no meu dia. Eu escolho meus problemas. Eu aplico meu tempo mais eficientemente que aplico meu dinheiro. Eu não cedo. Eu evoluo mais rápido.

Jornada

Sou do tipo de pessoa que sempre buscou estímulos para se preencher

Sempre fui o tipo de pessoa que está sempre atrás de mais. Quando criança fazia diversas atividades no dia, chegando a ter em determinados momento 6 atividades extra-curriculares na minha agenda.

Depois na vida fui me preencher com outras atividades, seja no esporte, nos estudos, na agenda cheia, na produtividade incansável, nas viagens pelo mundo, no objetivo de empreenderorismo, nos relacionamentos, nos diversos trabalhos simultâneos, e por aí em diante.

Sempre achei que precisava viver o máximo de atividades, e cada uma ao máximo, para me tornar quem eu gostaria de ser e assim me preencher para ser feliz.

“Trabalhar para ganhar minha recompensa. Viajar para ter os momentos de insights. Praticar esportes radicais para descomprimir. Ganhar dinheiro para viver tal experiência.” Este era meu mindset.

Frustração do Sucesso

Infelizmente vivi frustrações atrás de frustrações alcançando meus sucessos. Sim, a frustração do sucesso. Nenhum objetivo que havia batalhado e alcançado me trouxeram a felicidade e senso de realização esperado. Todas as minhas vitórias eram culturalmente muito bem reconhecidas e impressionantes pela pouca idade; externamente estava em uma direção invejável. Internamente estava desesperado e completamente desiludido.

Empty Road — Israel

Tudo que conquistei internamente foi a ansiedade, a depressão, o senso de estar perdido no mundo sem saber meu objetivo. Sem saber minha chamada.

Externamente estava cada vez mais perto do objetivo. Internamente estava muito longe.

Os meus preenchedores de vida, seja nas viagens, esportes, ou trabalho eram ilusórios. Preenchiam um momento, mas não preenchiam o meu eu. Sempre faltava algo.

Tomei coragem e embarquei na jornada da mudança.

Busquei, incansavelmente, minhas verdades. Me olhei de fora. Me desconstruí. Me frustrei. Sofri. Quase desisti de procurar a mudança. Abandonei o projeto e voltei.

Um dia, do nada, comecei a ver um pouco de quem eu era. Comecei a filtrar um pouco mais quais eram minhas ideias, meus pensamentos, minha visão de mundo, e o que havia sido pre-fabricado e implementado na minha cabeça pela cultura. O que realmente era o eu e o que era na verdade uma pre-concepção da sociedade? Um pre-concepção que havia sido codificado em mim pelo estudo tradicional, pelos valores da cultura, pelas crenças dos meus pais?

Basicamente tudo. Tive que me reconstruir. Redefinir o que queria. Redefinir meus objetivos. Redefinir minha hipótese de jornada. Redefinir minhas motivações. Redefinir o meu eu.

Fui buscar a satisfação no dia-a-dia. Organizei minha rotina. Aperfeiçoei meu hábitos. Fui atrás da optimização de tudo que fazia na vida pessoal ao invés da carreira profissional. Comecei a ouvir meu corpo. Comecei a valorizar meu tempo. Comecei a aproveitar o momento. Comecei a ser.

The Path

Sendo

Hoje sou eu. De verdade.

Hoje não moro numa caverna. Não virei monge. Não estou na India meditando 10 horas por dia. Eu vivo uma vida aparentemente normal, mas eu tenho um super poder; eu estou presente. Assim eu sou mais produtivo. Eu gero mais valor. Eu aproveito os momentos. Eu mando no meu dia. Eu escolho meus problemas. Eu aplico meu tempo mais eficientemente que aplico meu dinheiro. Eu não cedo. Eu evoluo mais rápido.

Fundamentos da Vida

Os esportes, o trabalho, os objetivos, continuam sendo parte da minha vida, porém não é isso que me bota em ascensão do ser. Não é isso sozinho que constrói os blocos que preenchem minha vida. Eles tem sua utilidade, mas não são eles dão o fundamento que suportam a estrutura da minha vida. Meus pequenos hábitos, minha simples rotina, meus pequenos momentos de gratidão, meu sorriso escondido no meio do dia, meu trabalho criativo, minha geração de valor, um momento que estou apenas presente, um papo legal, a energia de estar próximo de alguém que amo, a energia de estar sozinho, a calma para criar, o estado de flow, a minha energização que não depende de mais ninguém, a minha capacidade de estar em paz com meu interior… isso sim é o fundamento da minha vida, o resto é.. o resto. O resto pode complementar, pode dar maior sustância ao mix da vida, pode trazer insights, mas continua sendo o resto e, por isto, não essencial.

Ou seja, amanhã, possivelmente tendo menos oportunidades, não sendo bem sucedido no trabalho, eu ainda posso ser completo. Eu não preciso de mais nada. (Preciso das poucas coisas materialistas, do “mundo fisico”, que me ajudam a seguir meus simples hábitos de forma optimizada. O resto.. é o resto).

E assim eu tenho calma no meu mundo. Eu me irrito no mundo dos outros. Eu mando no meu dia. Eu mando no meu tempo. Eu sou dono da minha vida. E, por este sentimento, eu não troco nenhum tipo de sucesso externo, dinheiro, fama ou reconhecimento.

Em paz.

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Vendo de fora sou investidor e empreendedor. Se chegar mais perto sou um eterno curioso pelo desenvolvimento de metodologias para aperfeiçoar nossa jornada.

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Rafa Hansen

Rafa Hansen

Vendo de fora sou investidor e empreendedor. Se chegar mais perto sou um eterno curioso pelo desenvolvimento de metodologias para aperfeiçoar nossa jornada.